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Julian Nagelsmann é o homem mais importante da Alemanha este mês

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A ascensão da extrema direita, porém, não é a única crise que a Alemanha enfrenta. A economia está em crise: apenas 28% das empresas dizem que as coisas estão indo bem, de acordo com uma pesquisa recente, e a confiança no governo de Scholz caiu. O sul da Alemanha está a sofrer com as inundações que mataram seis pessoas em Junho, enquanto as principais vias de transporte do Reno e do Danúbio secam com tanta frequência que o transporte marítimo tem de ser suspenso regularmente.

“Há a economia, a falta de inovação, problemas com infra-estruturas, inflação, burocracia lenta”, disse o Dr. Echterhoff, o professor de psicologia, enumerando os problemas da Alemanha como se fosse uma lista de compras. “E isso antes de chegarmos a múltiplas crises internacionais, como a guerra da Rússia na Ucrânia. Tudo isso junto colocou a auto-estima alemã sob ameaça real.”

Não é de admirar, portanto, que a preparação para o Campeonato da Europa tenha sido relativamente silenciosa.

“O que acontece com o estado de espírito, especialmente o estado de espírito no país, é que não se pode realmente medi-lo”, escreveu Dirk Peitz, colunista do jornal Die Zeit, esta semana. Tudo o que ele podia fazer, disse ele, era usar a si mesmo como amostra de um. “Eu não sinto isso, este torneio. De jeito nenhum.”

Na preparação para o Euro, a seleção alemã apoiou-se na iconografia da sua diversidade. A Adidas, principal patrocinadora do time, elaborou uma campanha publicitária brincando com a ideia do que é e do que não é “típico alemão”. Gundogan, nascido na Alemanha, filho de pais turcos, tem destaque. Nagelsmann, extraordinariamente jovem, também o faz.

O mais revelador, porém, é uma das cenas de abertura do anúncio, que segue um torcedor vestindo uma camisa croata por baixo de uma alemã. Num país onde cerca de 30 por cento da população pode reivindicar raízes imigrantes, apoiar duas equipas é agora tão “tipicamente alemão” como Goethe, Schiller e vencer nos pênaltis.

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