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Banco Mundial vê perspectivas de crescimento mais otimistas

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O Banco Mundial elevou na terça-feira as suas perspectivas para a economia mundial este ano, mas alertou que o surgimento de novas barreiras comerciais e políticas protecionistas representa uma ameaça de longo prazo ao crescimento global.

No seu último relatório de Perspectivas Económicas Globais, o Banco Mundial projectou que o crescimento global se manteria estável em 2,6% este ano, uma actualização da sua previsão de Janeiro de 2,4%, e previu que a produção subiria para 2,7% em 2025. As previsões mostraram que o a economia global está a estabilizar depois de ter sido abalada nos últimos anos pela pandemia e pelas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.

“Quatro anos após as convulsões causadas pela pandemia, conflitos, inflação e aperto monetário, parece que o crescimento económico global está a estabilizar”, disse Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, num comunicado que acompanha o relatório.

No entanto, o crescimento lento continua a assombrar as economias mais pobres do mundo, que ainda enfrentam a inflação e os encargos da dívida elevada. O banco observou que, nos próximos três anos, os países que representam mais de 80 por cento da população mundial registariam um crescimento mais lento do que na década anterior à pandemia.

A previsão ligeiramente mais positiva foi liderada pela resiliência da economia dos EUA, que continua a desafiar as expectativas apesar das taxas de juro mais elevadas. No geral, as economias avançadas estão a crescer a uma taxa anual de 1,5%, com a produção a permanecer lenta na Europa e no Japão. Em contraste, os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento estão a crescer a uma taxa de 4%, liderados pela China e pela Indonésia.

Embora se espere que o crescimento seja um pouco mais forte do que o previsto anteriormente, o Banco Mundial afirmou que os preços estavam a diminuir mais lentamente do que o previsto há seis meses. Prevê uma moderação da inflação global para 3,5% em 2024 e 2,9% no próximo ano. É provável que esse declínio gradual leve os bancos centrais a adiar os cortes nas taxas de juro, diminuindo as perspectivas de crescimento nas economias em desenvolvimento.

Apesar da melhoria das perspectivas, a economia global continua a enfrentar uma incerteza significativa devido à guerra da Rússia na Ucrânia e à possibilidade de a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza se poder tornar num amplo conflito regional.

As tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo — os Estados Unidos e a China — também estão a intensificar-se e poderão tornar o comércio internacional mais volátil. A administração Biden impôs no mês passado novas tarifas abrangentes sobre os veículos elétricos chineses e manteve as tarifas sobre as importações chinesas que a administração Trump havia imposto. A União Europeia também está a considerar novas taxas sobre a tecnologia energética verde chinesa, à medida que cresce a preocupação com o excesso de capacidade industrial do país.

O Banco Mundial observou que as “políticas de distorção do comércio”, como tarifas e subsídios, aumentaram acentuadamente desde a pandemia. Alertou que tais medidas tendiam a distorcer as cadeias de abastecimento, tornando-as menos eficientes, uma vez que o comércio era desviado para outros países para evitar direitos de importação.

“Uma maior proliferação de restrições comerciais apresenta um risco negativo substancial para as perspectivas de crescimento global”, afirma o relatório. “A maior incerteza da política comercial e um maior enfraquecimento do sistema comercial multilateral – ambos os quais podem resultar da escalada de medidas restritivas do comércio – poderão ter efeitos adversos no crescimento.”

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